
O empresariado brasileiro e o setor de transportes foram surpreendidos, no último sábado, 24 de janeiro de 2026, com a morte de Constantino de Oliveira Júnior, fundador da Gol Linhas Aéreas Inteligentes e presidente do Conselho de Administração da companhia. Aos 57 anos, ele vinha enfrentando um câncer há alguns anos, segundo comunicado oficial divulgado pela própria Gol no fim de semana.
A trajetória de Júnior ficou marcada por transformações estruturais no transporte brasileiro, com atuação que atravessou o setor rodoviário, revolucionou a aviação comercial no país e, nos últimos anos, passou a influenciar projetos estratégicos de mobilidade sobre trilhos.
Uma carreira entre ônibus e aviões

Antes de se tornar um dos nomes mais influentes da aviação brasileira, Constantino Júnior construiu sua base profissional no transporte terrestre. Entre 1994 e 2000, atuou como diretor da Comporte Participações, grupo fundado por sua família e com forte presença no transporte rodoviário de passageiros em diferentes regiões do país.
Essa vivência no setor rodoviário foi determinante para a formação de sua visão empresarial, marcada pela busca por eficiência operacional, ganho de escala e integração de sistemas — princípios que, anos mais tarde, seriam levados à aviação comercial brasileira.
Em 2001, ao lado de sua família, Júnior fundou a Gol Linhas Aéreas, iniciativa que transformaria de forma estrutural o mercado aéreo nacional ao consolidar, no Brasil, o modelo de baixo custo e baixa tarifa, ampliando o acesso da população ao transporte aéreo.
Sob sua liderança, a Gol viveu um de seus momentos mais emblemáticos em 2007, com a aquisição da Varig, movimento que reposicionou a companhia no mercado e fortaleceu sua presença nos cenários doméstico e internacional.
Mais do que a incorporação de ativos, a operação simbolizou a capacidade de Constantino Júnior de conduzir processos complexos de transição e integração, em um dos períodos mais desafiadores da história recente da aviação brasileira.
Após deixar a gestão executiva, Júnior permaneceu como presidente do conselho de administração da Gol até sua morte e também atuava como membro do Grupo ABRA, holding que reúne operações aéreas como Gol e Avianca, mantendo influência estratégica no setor até seus últimos anos.
Legado que transcende setores






O legado de Constantino Júnior ultrapassa os limites da aviação. Sua trajetória empresarial é marcada pela capacidade de conectar a experiência acumulada no transporte rodoviário a uma visão moderna de mobilidade integrada, antecipando debates que hoje ocupam posição central no planejamento urbano e regional.
Mesmo após deixar a gestão executiva da Gol, Júnior manteve atuação estratégica por meio de conselhos administrativos e participações em projetos de grande porte, influenciando decisões com impacto direto sobre sistemas de transporte coletivo, logística e infraestrutura.
Essa herança também se reflete na atuação da família Constantino à frente do Grupo Comporte, que ampliou sua presença no transporte rodoviário e avançou sobre operações metropolitanas e ferroviárias — incluindo concessões de trens e projetos estruturantes sobre trilhos.
Sua trajetória evidencia uma transição rara no setor: do ônibus ao avião — e, mais recentemente, ao transporte ferroviário — consolidando um legado empresarial que dialoga entre diferentes modais e reforça a ideia de sistemas integrados de mobilidade como caminho para o futuro.
Repercussão e homenagens
Em nota oficial, a Gol afirmou lamentar profundamente a perda e destacou que “sua liderança, visão estratégica e jeito simples e humano deixaram marcas profundas na cultura da empresa”.
Autoridades e organizações de diferentes setores também manifestaram pesar. A Câmara Municipal de Patrocínio, cidade natal de Constantino Júnior, publicou mensagem de condolências ressaltando seu papel como empreendedor visionário e motivo de orgulho para a região.
Transição na liderança da Gol
Com a morte de Constantino Júnior, a Gol comunicou que Antonio Kandir, atual vice-presidente do conselho de administração, foi nomeado chairman interino da companhia de forma temporária, assegurando a continuidade das operações e das estratégias corporativas.
Uma história multifacetada
Além de seu legado empresarial, Constantino Júnior também se aventurou no automobilismo, competindo em provas como a Porsche GT3 Cup Challenge Brasil, tornando-se uma figura conhecida também no meio esportivo.
Ele deixa esposa, dois filhos e uma trajetória que atravessou décadas de transformações no sistema de transporte nacional — da estrada aos ares e, mais recentemente, refletida em grandes projetos de mobilidade estrutural no Brasil.
Silvio Costa Filho — Ministro de Portos e Aeroportos
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, manifestou publicamente sua tristeza pela morte de Constantino Júnior e destacou seu impacto no setor aéreo brasileiro:
“É com muita tristeza que recebo a notícia da morte de Constantino Júnior. Sua trajetória à frente da GOL teve um papel decisivo no fortalecimento da aviação brasileira, ampliando conexões, oportunidades e o desenvolvimento do setor no país. Deixa um legado importante e duradouro. Meus sentimentos à família, amigos e colegas.”
Essa declaração foi divulgada em entrevistas à imprensa e nas redes sociais, sendo replicada por veículos como O Tempo e Folha Vitória ao noticiar o falecimento do empresário.
Paulo Kakinoff — Executivo e ex-presidente da Gol
Em entrevista ao NeoFeed, Paulo Kakinoff, que sucedeu Constantino Júnior na liderança da Gol e atualmente preside o conselho da Porto Seguro, comentou sobre o impacto humano e profissional deixado pelo fundador da companhia:
“Júnior foi um líder extremamente humano, adorado por todos. Era muito reservado em sua vida familiar e cultivava amizades sólidas como ninguém. Tinha esse dom de saber falar e ouvir, uma empatia natural. Trabalhamos lado a lado por muitos anos. Júnior deixa um grande vazio. Negócios vão e vêm, mas pessoas como ele não têm substituição.”
Essa fala reforça a percepção, compartilhada por colegas e executivos do setor, de que a liderança de Constantino Júnior ia além dos números, destacando sua postura pessoal e a relação com equipes e parceiros ao longo de décadas.
Esta matéria foi elaborada com base em informações públicas, comunicados oficiais e entrevistas concedidas à imprensa, com destaque para conteúdos da Agência Brasil, da Câmara Municipal de Patrocínio (MG), além de reportagens do NeoFeed, Finance News e Jovem Pan.
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