
A Prefeitura de Curitiba está na fase final de elaboração do edital da nova concessão do transporte coletivo da capital e deverá publicar o documento no próximo dia 27 de abril. A definição da data ocorreu nesta segunda-feira (6), durante reunião de secretariado conduzida pelo prefeito Eduardo Pimentel.
De acordo com o cronograma previsto pela administração municipal, o leilão da concessão deverá ser realizado em até 90 dias após a publicação do edital, com previsão para acontecer em julho, na Bolsa de Valores de São Paulo (B3).
Segundo a Prefeitura, o novo modelo de concessão foi estruturado para promover uma ampla modernização do sistema, com foco em eficiência operacional, sustentabilidade e maior conforto aos passageiros.
Em declaração oficial, o prefeito destacou que o projeto foi desenvolvido ao longo de três anos e entra agora na reta final.
“Estamos finalizando um edital muito consistente, robusto e com segurança jurídica. Com a nova concessão, vamos modernizar o transporte coletivo com mais eficiência, sustentabilidade e economia para o passageiro, que vai ganhar novas linhas, integração temporal e ônibus zero emissões”, afirmou.
Investimento de R$ 3,9 bilhões e ampliação da frota

O novo contrato prevê R$ 3,9 bilhões em investimentos ao longo de 15 anos, incluindo renovação de frota, infraestrutura e implantação de tecnologia.
Entre os principais destaques estão:
- 250 ônibus elétricos nos primeiros cinco anos;
- 149 ônibus a diesel Euro 6 no início da operação;
- mais 1.084 veículos adicionais ao longo do contrato;
- ampliação da frota operacional de 1.189 para 1.234 ônibus;
- instalação de ar-condicionado e câmeras de monitoramento nos novos veículos.
Além disso, o projeto prevê a construção de dois eletropostos públicos, que serão implantados nos terminais Capão Raso e Capão da Imbuia.
Sistema será dividido em cinco lotes

O leilão será estruturado em cinco lotes operacionais, sendo:
- dois lotes de BRT, contemplando as linhas que circulam nas canaletas exclusivas;
- três lotes regionais: Norte, Sul e Oeste.
O prazo contratual previsto é de 15 anos.
A modelagem foi elaborada pela Urbs e pelo Ippuc, em parceria com o BNDES, e também passou por consulta pública, audiências presenciais e análise do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR).
Segundo o presidente da Urbs, Ogeny Pedro Maia Neto, a complexidade do projeto exigiu prazo adicional para aprimoramento técnico e jurídico.
De acordo com ele, as contribuições do tribunal e da consulta pública permitiram aperfeiçoar as regras e gerar uma economicidade estimada em aproximadamente R$ 700 milhões no valor global do edital.
Mais linhas e integração temporal

Outro ponto de destaque é a reformulação operacional do sistema, com foco na redução do tempo de deslocamento.
O novo modelo prevê:
- reformulação de 30 itinerários;
- criação de cinco novas linhas;
- requalificação e construção de 16 estações-tubo;
- implantação de integração temporal entre todas as linhas da capital.
A medida permitirá que o passageiro utilize conexões dentro de um período determinado sem necessidade de nova cobrança tarifária, tornando as viagens mais rápidas e eficientes.
Durante o período de transição, estimado em até dois anos, a tarifa atual de R$ 6,00 deverá ser mantida sem reajuste.
Curitiba reforça aposta na eletromobilidade

A nova concessão também marca um avanço importante na política de mobilidade sustentável da cidade.
Atualmente, Curitiba conta com sete ônibus elétricos em operação, número que deverá saltar para 250 veículos com o novo contrato.
A presidente do Ippuc, Ana Zornig Jayme, destacou que o projeto coloca a capital na vanguarda nacional da transição energética no transporte coletivo.
Segundo ela, Curitiba será a primeira cidade brasileira a estruturar um contrato de concessão já concebido com foco em redução de emissões e expansão da eletromobilidade.
Critério de escolha será maior desconto

No leilão, vencerá o lote o licitante que apresentar o maior percentual de desconto sobre a remuneração de referência estabelecida no edital.
Poderão participar da concorrência:
- sociedades empresariais;
- fundos de investimento;
- instituições financeiras;
- entidades de previdência complementar;
- grupos nacionais ou estrangeiros;
- consórcios.
As empresas poderão disputar um ou mais lotes, respeitando as regras de participação previstas no edital.
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