Atualização: Supressão de Tecnologia? Segunda unidade do BRT ABC surge como “Bateria Pura” e contradiz promessas

Fontes internas e imagens exclusivas indicam que novo veículo não será e-Trol e o modelo diverge do prometido, levantando suspeitas sobre uma corrida contra o relógio regulatório.

O que antes era tratado como especulação sobre um protótipo isolado, agora ganha contornos de uma mudança estratégica — e polêmica. Informações de bastidores e fotos repassadas sob condição de anonimato confirmam: trata-se, na verdade, de uma segunda unidade destinada ao BRT ABC.

Contudo, a surpresa técnica é um balde de água fria nos entusiastas da eletrificação: este veículo realmente não possui indícios da tecnologia e-Trol. Imagens que revelam o posicionamento dos bancos de baterias confirmam se tratar de um e-bus comum (Bateria Pura), desprovido de alavancas ou sistema de recarga em movimento (IMC).

A Promessa vs. A Realidade A configuração deste carro coloca a operação em rota de colisão com o discurso oficial. Recentemente, a executiva da Eletra, Milena Braga Romano, afirmou categoricamente em portais de notícia que o sistema receberia 95 modelos equipados com tecnologia e-Trol e carroceria eMillennium BRT.

A realidade que se apresenta no pátio, porém, é gritante: o modelo flagrado não é um eMillennium BRT e sequer é um e-Trol. O que se vê é um veículo que contraria todo o marketing comercial construído pela fabricante e pela operadora, indicando uma clara supressão de tecnologia. O sistema “carro-chefe” da empresa, vendido como a solução definitiva, parece ter sido descartado nesta unidade em favor de uma configuração elétrica convencional e, teoricamente, menos versátil para a infraestrutura do BRT ABC.

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Unidade original do modelo, protótipo do e-Trol.

Um Padrão de “Supressões Silenciosas” Infelizmente, a supressão das alavancas e da tecnologia IMC neste novo veículo não parece ser um fato isolado, mas sim mais um capítulo em um histórico preocupante de desidratação do projeto original.

Conforme analisamos anteriormente em nossa reportagem especial [BRT ABC – O Corredor que prometeu integração, mas pode entregar segregação], o projeto já sofre com cortes silenciosos na infraestrutura civil. O “sumiço” da linha expressa no Terminal Tamanduateí, a total falta de clareza sobre o Terminal Sacomã e as dúvidas críticas sobre a integração física e tarifária com a malha municipal desenham um cenário onde o que é entregue é sistematicamente menor do que o prometido. Agora, essa lógica de redução parece ter chegado também à especificação da frota.

Manobra para “Ganhar Tempo”? Diante desse cenário de downgrade técnico — onde se promete um BRT com recarga dinâmica e se entrega um ônibus a bateria convencional com carroceria padrão — uma questão inquietante começa a circular nos corredores do setor.

Seria esta entrega “simplificada” uma estratégia desesperada para apresentar volume de frota e ganhar tempo, evitando multas mais severas por parte da Artesp? Ou uma corrida para iniciar uma operação parcial e evitar mais encargos? A agência reguladora tem prazos contratuais rígidos, e a complexidade de produção do e-Trol (Principalmente por falta de viário com obras finalizadas para instalação de rede de energia) pode ter se tornado um gargalo. Entregar um ônibus elétrico comum, mais rápido de produzir, pode ser a “vacina” burocrática para estancar sangrias contratuais, mesmo que isso custe a coerência tecnológica do projeto (Principalmente se for levado em conta a possibilidade de re-converter o veículo para e-Trol no momento de operação plena).

Hipocrisia e o “Delay” da Confiança O episódio reforça a ironia apontada anteriormente. É no mínimo curioso — e hipócrita — que o grupo empresarial exalte o e-Trol como mais barato e eficiente para o mercado externo, mas trate a tecnologia como “patinho feio” dentro de casa. Além disso, a confiança na tecnologia e-Bus (bateria pura como conhecemos, lançado em 2019/2020) para a operação interna só parece ter se consolidado agora, com um delay de mais de cinco anos após seu lançamento, evidenciado pela conversão do carro 8160 e agora por esta segunda unidade do ABC.

Posicionamento A comunicação da fabricante, quando questionada sobre as discrepâncias entre a promessa da executiva e o veículo real, bem como sobre a ausência da tecnologia e-Trol, optou por não esclarecer nenhum dos pontos, mantendo a opacidade sobre a estratégia. O portal segue aguardando uma resposta oficial.

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