Realizada em novembro de 2025, a 22ª BusBrasil Fest consolidou-se como um evento capaz de reunir em um mesmo espaço diferentes camadas da história e da evolução do transporte coletivo brasileiro. Mais do que uma exposição de veículos, o encontro apresentou ao público um recorte técnico, histórico e institucional do setor, evidenciando processos de preservação, restauração e inovação que convivem lado a lado na mobilidade urbana e rodoviária.
O lançamento que marcou a edição

A abertura simbólica do evento ficou marcada pela apresentação do Marcopolo Paradiso GV 1150 com pintura histórica da Pluma, veículo que representou com precisão o auge do transporte rodoviário nacional nos anos 1990. O modelo não apenas chamou a atenção pelo estado de conservação e fidelidade visual, mas também pela forma como sintetiza um período de transição técnica e estética do setor, quando conforto, identidade visual e desempenho passaram a ser elementos centrais na experiência de viagem.
A escolha do Paradiso GV 1150 como veículo de lançamento reforçou a proposta da BusBrasil Fest de valorizar não apenas a raridade, mas o contexto histórico e operacional de cada exemplar exposto. Confira abaixo um ensaio fotográfico dedicado, que revela os detalhes da restauração e a fidelidade histórica do projeto, registrados na visão da fotógrafa Evelyn Lima. Nos detalhes, aparecem os sinais da época: comandos, instrumentos, acabamento, emblemas e soluções construtivas que definiram o padrão rodoviário dos anos 1990:












Preservação e memória sobre rodas
Um dos grandes destaques desta edição foi a presença de ônibus históricos cuidadosamente preservados e restaurados por colecionadores, empresas e instituições. Veículos de diferentes décadas dividiram espaço no evento, permitindo ao público acompanhar, de forma concreta, a evolução das carrocerias, dos chassis, das soluções construtivas e dos padrões de conforto que marcaram distintas fases do transporte coletivo brasileiro.
Mais do que peças estáticas, esses modelos ajudaram a contextualizar cada período da história do setor. Ônibus urbanos e rodoviários clássicos — muitos deles responsáveis por introduzir conceitos técnicos que se tornaram referência — reforçaram o papel da BusBrasil Fest como um espaço de valorização da memória operacional do transporte, sem perder de vista a evolução técnica que moldou cada época.
Cada veículo exposto carregava não apenas características construtivas, mas também histórias de uso, rotas percorridas e contextos regionais que ajudam a compreender a formação da mobilidade no país. Ao aproximar o público desses detalhes, o evento transformou a preservação em uma experiência viva, que conecta passado, presente e futuro do transporte coletivo brasileiro.
CMA Flecha Azul VII – Scania K113CL – 7124 – Particular




CMA Flecha Azul II – Scania K113CL – 6417 – Particular




Thamco ODA “Fofão” – Scania K112CL – Particular




Ciferal Flecha de Prata – Mercedes-Benz LPO-344 – 160 – Viação Oliveira




Marcopolo II – Mercedes-Benz OH-1316 – 245 – Viação Oliveira




A missão do Museu do Transporte: preservar o que o tempo descartaria
Mesmo diante de limitações estruturais, custos elevados e desafios logísticos, a Associação Museu do Transporte tem avançado em uma frente essencial para a história da mobilidade brasileira: a preservação de veículos que, sem essa intervenção, teriam como destino certo o sucateamento.

Um marco recente desse trabalho foi a primeira doação de ônibus proveniente de um órgão público, com a incorporação de veículos que integraram oficialmente sistemas de transporte interno e que, ao fim de sua vida operacional, não contariam com qualquer política de preservação. Essa conquista representa um passo importante no reconhecimento institucional da missão do Museu e amplia de forma concreta o alcance histórico do acervo.
Paralelamente, o acervo também vem sendo fortalecido por doações e iniciativas de empresas privadas, que confiaram ao Museu veículos representativos de suas trajetórias. Esse movimento soma-se ao trabalho independente de colecionadores e restauradores, formando uma rede de preservação que mantém viva a memória técnica, operacional e cultural do transporte coletivo brasileiro.








Mais do que expor veículos, o Museu do Transporte atua como guardião de histórias, soluções de engenharia e práticas operacionais que moldaram gerações de profissionais e usuários do transporte coletivo brasileiro. Um esforço contínuo, muitas vezes invisível, mas fundamental para que essa história não se perca. E, como agradecimento, seu presidente Paulo Sérgio Vieira Filho nos enviou uma carta aberta para publicação nesta matéria:
Sorocaba, 08 de fevereiro de 2026
Além do empenho direto de sua diretoria executiva e voluntários, o Museu do Transporte ressalta que a participação na 22ª BusBrasil Fest somente se tornou possível graças a uma ampla rede de apoiadores que reconhecem e valorizam a importância histórica, técnica e cultural da preservação do transporte coletivo. Destaca-se que a complexa logística necessária para o deslocamento de dois ônibus Ciferal Padron Rio e do Urbanuss Pluss articulado até o evento demandou infraestrutura adequada, recursos significativos e colaboração contínua, extrapolando amplamente a dimensão de uma simples exposição de veículos.
Nesse contexto, o Museu do Transporte registra seu agradecimento à Viação Talismã, que, além de ceder espaço em garagem, também oferece suporte operacional fundamental, incluindo manutenção básica, limpeza e apoio diário aos veículos, garantindo condições adequadas para eventuais deslocamentos para exibição. À Garden’s Soluções, pelo apoio técnico especializado e pela disponibilização de recursos voltados a reparos e ajustes essenciais, assegurando que os veículos chegassem ao público em pleno funcionamento e com segurança. Ao jornalista Ádamo Bazani, do Diário do Transporte, pela aproximação institucional entre o Museu do Transporte e a Viação Talismã, bem como pela divulgação contínua do projeto, ampliando seu alcance e fortalecendo sua credibilidade junto ao setor.
O Museu do Transporte também recebeu, no ano de 2025, patrocínios da Eletra Industrial, que contribuíram para a concretização de diversas demandas do projeto, com destaque para o processo de reforma do Marcopolo Torino GV Híbrido. Em referência a esse veículo, registra-se ainda o agradecimento à Neoenergia, com apoio da ANEEL, pela doação do ônibus, representando um elo significativo entre a preservação histórica e as tecnologias de transição energética. À Modelize, pela produção de materiais promocionais e pelo suporte técnico na manutenção dos veículos, colaborando para uma apresentação mais qualificada do acervo ao público. Ao Notícias do Transporte, pela ampla divulgação e pelo apoio direto na manutenção dos ônibus, reforçando o papel da comunicação especializada na valorização do patrimônio do transporte coletivo.
Um agradecimento especial é direcionado à Líder Baterias e à concessionária BRT Sorocaba, responsáveis pelo fornecimento dos conjuntos de baterias utilizados nos Ciferal Padron Rio, item indispensável para a reabilitação operacional desses veículos urbanos históricos. Por fim, o Museu do Transporte destaca a importância da Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF e do Grupo Santa Zita, que realizaram a doação dos veículos apresentados, marcando um momento histórico para a entidade ao nela ser depositada a confiança para a preservação de ônibus provenientes tanto de um órgão público quanto de uma empresa privada, ampliando de forma significativa o valor institucional e histórico de seu acervo.
Essas parcerias demonstram que a preservação da memória do transporte coletivo é um esforço coletivo, que depende da convergência entre empresas, instituições, imprensa especializada e entusiastas, todos unidos pelo compromisso de conscientização que veículos emblemáticos da mobilidade nacional devem ter seu valor histórico considerado para evitar que o desmonte não seja, de forma recorrente, a alternativa prioritária após o fim de sua vida útil operacional.
Paulo Sérgio Vieira Filho
Presidente

Inovação e transição tecnológica
Ao lado das relíquias históricas, a 22ª BusBrasil Fest também apresentou veículos que representam o presente e o futuro do transporte coletivo. Ônibus com motorização Euro 6, modelos movidos a biometano e veículos elétricos evidenciaram como a indústria e os operadores vêm buscando soluções mais eficientes, sustentáveis e alinhadas às novas exigências ambientais.
A convivência entre diferentes gerações tecnológicas permitiu ao público observar, de forma concreta, que a evolução do setor ocorre de maneira gradual — incorporando aprendizados do passado enquanto responde às demandas atuais de eficiência energética, redução de emissões e conforto operacional. Mais do que rupturas, o evento revelou um processo contínuo de adaptação técnica.
Essa leitura se torna ainda mais clara quando observados lado a lado ônibus históricos em circulação simbólica e modelos contemporâneos em operação real. A BusBrasil Fest reforçou, assim, que inovação não surge desconectada da história: ela se constrói sobre décadas de experiência acumulada em engenharia, operação e planejamento.














Um panorama técnico e institucional do setor
Ao reunir veículos históricos, modelos em operação e tecnologias emergentes, a 22ª BusBrasil Fest apresentou um panorama amplo e coerente do transporte coletivo brasileiro. O evento demonstrou que preservação da memória, inovação tecnológica e operação cotidiana não são caminhos opostos, mas partes complementares de um mesmo ecossistema em constante evolução.
Mais do que destacar individualmente cada veículo exposto, a edição reforçou a importância de compreender o transporte coletivo como um sistema vivo, onde história, técnica e inovação caminham juntas. A convivência entre diferentes gerações de soluções construtivas, energéticas e operacionais evidenciou como o setor se transforma sem romper com suas bases.
Na próxima matéria deste especial, o Notícias do Transporte aborda o encerramento da 22ª BusBrasil Fest, as premiações, os reconhecimentos e a avaliação final de uma edição que reafirmou a relevância do evento no calendário nacional do transporte coletivo.
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