
A Prefeitura de São Caetano do Sul, no ABC Paulista, deu início ao processo que pode colocar fim ao modelo atual do programa Tarifa Zero no transporte coletivo municipal. A informação foi confirmada pelo prefeito Tite Campanella ao Diário do Grande ABC, que revelou mudanças no programa Tarifa Zero no transporte municipal da cidade.
Nos últimos meses, a gestão do prefeito Tite Campanella já vinha promovendo alterações no funcionamento do sistema. Entre as mudanças estão ajustes em itinerários de linhas tradicionais, como as linhas 02, 03 e 07, além da criação da linha circular 11 – Ligação Fórum–Santa Maria. Segundo passageiros que utilizam diariamente o transporte municipal, as mudanças acabaram piorando a operação, com relatos de percursos mais longos, perda de ligações diretas e aumento do tempo de deslocamento. A nova linha circular, inclusive, tem sido alvo de críticas de usuários, que apontam baixa utilidade prática na ligação proposta.
Outra medida adotada pela administração municipal foi a redução da frota operacional de ônibus, definida como estratégia para otimizar os custos do sistema. Antes das alterações, o transporte municipal operava com cerca de 55 veículos em circulação, número que atualmente foi reduzido para 44 ônibus.
De acordo com a publicação do Diário do Grande ABC, o governo municipal encaminhou à Câmara um projeto de lei que cria o cadastro único municipal chamado “SancaGov”, ferramenta que reunirá dados dos moradores da cidade. A medida é considerada o primeiro passo para reformular o programa de gratuidade nos ônibus, permitindo identificar quem reside no município.
Na prática, a proposta abre caminho para restringir o Tarifa Zero apenas aos moradores de São Caetano do Sul, encerrando o modelo atual em que qualquer passageiro pode utilizar gratuitamente o transporte municipal. A ideia da administração é utilizar o cadastro para validar o direito à gratuidade por meio de informações pessoais e biometria facial.
Segundo o prefeito Tite Campanella, a mudança ocorre após análises sobre o uso do sistema. Estudos apontam que uma parcela significativa dos passageiros não reside na cidade, o que teria aumentado o custo da política pública para o município. A expectativa da gestão é ajustar o programa para manter o benefício principalmente para a população local.
O texto enviado pelo Executivo ainda precisa ser analisado e votado pela Câmara Municipal. Caso aprovado, o novo modelo deverá criar uma fase de transição no sistema de transporte, que hoje é operado pela VIPE – Viação Padre Eustáquio, concessionária responsável pelos ônibus municipais.
O programa Tarifa Zero foi implantado na cidade em 2023 e tornou São Caetano do Sul uma das poucas cidades do país a oferecer transporte coletivo totalmente gratuito. Com a reformulação em discussão, a tendência é que a gratuidade seja mantida apenas para moradores, enquanto passageiros de fora do município poderão voltar a pagar tarifa para utilizar o sistema.
Segundo o Diário do Grande ABC, a iniciativa marca o início das mudanças na política de mobilidade urbana da cidade, tema que deve ganhar destaque nas discussões do Legislativo nas próximas semanas.
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