
A Urbanização de Curitiba (URBS) anunciou a transferência definitiva das linhas de ônibus até então operadas pela Viação Mercês para as empresas Santo Antônio e Glória, integrantes do consórcio Pontual. A decisão foi tomada após a paralisação inesperada dos funcionários da Mercês na manhã desta última quarta-feira (14) e tem como objetivo garantir a continuidade de 100% do atendimento aos passageiros do transporte coletivo da capital paranaense.
De acordo com a Urbs, a medida foi adotada de forma imediata para evitar impactos à população, assegurando a circulação normal dos ônibus desde as primeiras horas do dia. Um ofício com a determinação oficial de transferência das operações deve ser encaminhado ao consórcio Pontual ainda nesta quarta-feira.

A Viação Mercês operava uma frota de 35 ônibus (fabricados entre 1990 e 2020), responsáveis por sete linhas exclusivas e dez linhas compartilhadas, com atuação concentrada principalmente na região Norte de Curitiba. Com o remanejamento, todas essas linhas passam a ser assumidas pelas demais empresas do consórcio, conforme previsto contratualmente.
O presidente da Urbs, Ogeny Pedro Maia Neto, afirmou que a paralisação ocorreu sem aviso prévio, o que surpreendeu tanto a gestão quanto os usuários. Segundo ele, a rápida atuação do órgão permitiu manter a operação regular, sem registros de filas ou aglomerações nos terminais e pontos de parada. “Por se tratar de um serviço essencial, a população não pode ser penalizada. As providências foram tomadas de imediato para garantir a normalidade do sistema”, destacou.
Histórico de notificações e problemas operacionais
Ainda segundo a Urbs, a Viação Mercês vinha sendo notificada desde o ano passado por uma série de irregularidades, incluindo atrasos no pagamento de salários, falhas na manutenção da frota e recorrentes quebras de veículos, que geraram reclamações de usuários. Em razão desses problemas, algumas linhas já haviam sido transferidas anteriormente para outras empresas do consórcio, como 916 – Pinheiros, 917 – Jardim Ipê e 965 – São Bernardo.
O órgão municipal também reforçou que não há débitos ou atrasos nos repasses financeiros por parte da Prefeitura de Curitiba às empresas do sistema. “Todos os pagamentos do município estão rigorosamente em dia, conforme estabelecido em contrato”, afirmou Maia Neto.
A Urbs ressaltou ainda que a legislação exige comunicação prévia mínima de 72 horas em casos de paralisação de serviços essenciais, o que não ocorreu neste episódio. Segundo a autarquia, o sindicato realizou uma reunião com os trabalhadores durante a madrugada, sem aprovação formal de indicativo de greve, o que contribuiu para a surpresa dos usuários e da gestão pública.
Retenção de valores para garantir salários
Diante dos atrasos salariais recorrentes, a Urbs informou que foi necessário reter valores do consórcio no fim de 2025 para assegurar o pagamento do 13º salário dos funcionários da Viação Mercês. Situação semelhante ocorreu neste mês de janeiro, quando os repasses foram novamente retidos e a empresa foi notificada a fornecer os dados necessários para que o consórcio efetuasse diretamente o pagamento aos trabalhadores.
Linhas transferidas

Com a mudança, passam a ser operadas pelas empresas Santo Antônio e Glória as seguintes linhas exclusivas: X46 – Especial Mercês; 150 – Circular Música/Vista Alegre; 912 – José Culpi; 913 – Butiatuvinha; 915 – Orleans Verde/Vila Bádia; 967 – Júlio Graf; e 972 – Jardim Itália.
Também integram a transferência as linhas compartilhadas 022 – Inter 2 (horário), 023 – Inter 2 (anti-horário), 040 – Interbairros IV, 464 – Augusto Munhoz/Jardim Botânico, 817 – Saturno/Veneza, 821 – Fernão Dias, 901 – Santa Felicidade, 902 – Santa Felicidade/Praça Tiradentes, 911 – Passaúna e 979 – Linha Turismo.
A Urbs informou que seguirá monitorando a operação das linhas para garantir a regularidade do serviço e a qualidade no atendimento aos passageiros do transporte coletivo de Curitiba.
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