Campinas vota nesta quarta-feira (15) prorrogação dos atuais contratos do transporte

Medida ocorre durante transição para nova concessão, onde foram declaradas vencedoras as empresas Sancetur e Grande Campinas

A Câmara Municipal de Campinas realiza nesta quarta-feira, 15 de abril, a segunda votação do projeto que autoriza a prorrogação excepcional dos atuais contratos do transporte público coletivo, em meio ao processo de transição da nova concessão do sistema, já definida em leilão realizado na B3, em São Paulo.

A proposta, encaminhada pela Prefeitura, já havia sido aprovada em primeiro turno no último dia 8 e estabelece prazo máximo de até dois anos, com encerramento automático assim que as novas operadoras concluírem todas as etapas formais, jurídicas e operacionais para o início da operação.

A medida ocorre diante da proximidade do vencimento dos contratos atuais, previsto para o fim de abril, e tem como objetivo garantir a continuidade do atendimento aos passageiros até a efetiva entrada das empresas vencedoras.

NT acompanha desde a abertura dos envelopes

O Portal Notícias do Transporte acompanha desde o início toda a tramitação da nova concessão, incluindo a abertura dos envelopes, a análise da disputa societária e o leilão que definiu os vencedores.

Antes mesmo do resultado final, o NT já havia detalhado como a disputa estava concentrada em poucos conglomerados empresariais, apesar do número formal de participantes.

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O levantamento mostrou que, embora houvesse diferentes CNPJs e consórcios, a concorrência estava, na prática, concentrada em grupos já tradicionais do setor, muitos deles inclusive com operação ativa no sistema atual de Campinas.

Quem venceu a nova concessão

Conforme já publicado pelo NT, o leilão realizado em 5 de março de 2026 definiu os novos operadores do sistema pelos próximos 15 anos, prorrogáveis por mais cinco.

O Lote Sul, que compreende as regiões Leste, Sul e Sudoeste, foi vencido pela Sancetur – Santa Cecília Turismo Ltda., pertencente à família Chedid, grupo que atua em mais de 20 cidades brasileiras.

Já o Lote Norte, abrangendo as regiões Norte, Oeste e Noroeste, ficou sob responsabilidade do Consórcio Grande Campinas.

Leia a cobertura completa do resultado:
Sancetur e Grande Campinas vencem licitação para a concessão do transporte público coletivo

Quem forma o Consórcio Grande Campinas

Um dos principais destaques do processo está na composição societária do grupo vencedor do Lote Norte.

De acordo com levantamento publicado pelo NT, o Consórcio Grande Campinas reúne empresas ligadas a dois importantes conglomerados do setor: Grupo Smile e Grupo Viação Suzano.

Pelo Grupo Smile, integram o consórcio:

  • Rhema Mobilidade Ltda
  • Transporte Coletivo Grande Marília Ltda
  • Nova Via Transportes e Serviços Ltda

Já pelo Grupo Viação Suzano, participam:

  • WMW Locação de Veículos e Serviços de Transportes Ltda
  • Auto Viação Suzano Ltda

O NT mostrou, ainda antes do leilão, que essas empresas, embora formalmente distintas, pertencem a grupos empresariais articulados e já estruturados no setor de mobilidade urbana.

Concorrentes: Belarmino, Niff e Itajaí também disputaram

A disputa contou com forte presença de grupos tradicionais.

O Grupo Belarmino, que já possui histórico de operação no transporte de Campinas, participou por meio do Consórcio MOV Campinas, formado por:

  • Bampar Participações Ltda
  • TUPi – Transporte Urbano de Piracicaba Ltda

O grupo é ligado à operação da VB Transportes em Campinas e da Sambaíba na capital paulista.

Outro concorrente relevante foi o Grupo Niff, atual operador por meio da Expresso Campibus, que participou no Lote Sul através da Mobicamp Ltda.

Também esteve presente o Grupo Itajaí, por meio da Red Log Ltda, integrante do Consórcio VCP Mobilidade.

Essa composição reforçou o cenário de alta concentração empresarial, tema que foi amplamente detalhado pelo NT antes da definição dos vencedores.

Sistema atual enfrenta desgaste e reclamações

A votação da prorrogação ocorre em meio a um cenário de forte desgaste do sistema atual, que há anos é alvo de críticas por parte dos passageiros.

Entre as principais reclamações estão a grande defasagem operacional, frota com veículos vencidos contratualmente, ônibus em má conservação, falhas mecânicas recorrentes, atrasos constantes e superlotação em horários de pico.

Usuários relatam veículos quebrados em linha, intervalos elevados entre partidas e queda significativa na qualidade do serviço prestado.

Esse cenário foi, inclusive, um dos principais fatores que impulsionaram a realização da nova licitação, considerada uma das mais relevantes para a mobilidade urbana da cidade nos últimos anos.

Transição deve seguir ao longo de 2026

A expectativa é que a transição para as novas operadoras ocorra ainda em 2026, após homologação do resultado, assinatura dos contratos, implantação de garagens, aquisição de frota e emissão da ordem de serviço.

Até lá, a votação desta quarta-feira é considerada decisiva para assegurar a continuidade do atendimento à população sem interrupções.


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