
O sistema de transporte coletivo de Rio Branco enfrenta uma grave crise operacional e financeira que pode resultar na paralisação total dos serviços. A situação se intensificou após a divulgação de um dossiê detalhado pela Ricco Transportes, concessionária responsável pela operação emergencial na cidade, expondo um cenário de desequilíbrio econômico e conflito direto com a Prefeitura de Rio Branco.

A nota oficial foi apresentada pela sócia-administradora da empresa, Bruna Fernandes Dias, que detalhou os impactos financeiros acumulados e classificou a situação como “insustentável”, indicando que a operação segue ativa, até o momento, por compromisso com a população.
Déficit milionário e operação no vermelho

De acordo com os dados apresentados pela empresa, a operação registrou, entre os dias 1º e 20 de abril, uma receita de aproximadamente R$ 2,84 milhões, frente a despesas que ultrapassaram R$ 2,91 milhões no mesmo período, gerando déficit operacional imediato.

O cenário se agrava ao considerar obrigações pendentes, que elevam o passivo a cerca de R$ 1,59 milhão em apenas 20 dias. Entre os principais valores em aberto estão:
- R$ 574 mil em salários atrasados
- R$ 348 mil em vale-alimentação
- Mais de R$ 600 mil em encargos trabalhistas e tributos
Segundo a concessionária, o desequilíbrio compromete diretamente a continuidade da operação e impede o cumprimento integral das obrigações com funcionários e fornecedores.
Pressão financeira e apreensão de frota agravam cenário


Além do déficit operacional, a empresa também enfrenta dificuldades com seus compromissos financeiros junto a instituições credoras. Um dos principais agentes envolvidos no financiamento da frota foi a Caruana S.A. Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento, responsável por operações que viabilizaram a aquisição de diversos veículos utilizados no sistema.
Com o agravamento da crise e a incapacidade de honrar integralmente os pagamentos, parte desses contratos entrou em inadimplência. Como consequência, uma parcela significativa da frota acabou sendo apreendida pela instituição financeira, reduzindo a disponibilidade de veículos e impactando diretamente a operação do transporte coletivo na capital acreana.
Prefeitura é alvo de críticas por falta de recomposição financeira

No documento, a Ricco Transportes atribui parte significativa da crise à atuação da Prefeitura de Rio Branco, alegando que os repasses realizados estão abaixo do necessário para garantir o equilíbrio do sistema.
Ainda conforme o levantamento:
- O custo estimado da operação no período seria de R$ 4,41 milhões
- Os repasses realizados somaram cerca de R$ 2,89 milhões
- A diferença ultrapassa R$ 1,5 milhão
A empresa também destaca que a tarifa permanece congelada desde 2022, enquanto há crescimento contínuo dos custos operacionais, incluindo combustível, manutenção e folha de pagamento. Além disso, aponta que o alto volume de gratuidades e benefícios tarifários não vem sendo devidamente compensado pelo poder público.
Impactos diretos nos trabalhadores e risco de paralisação
A crise já atinge diretamente os trabalhadores do sistema. Motoristas e demais funcionários enfrentam atrasos salariais, além de problemas relacionados ao recolhimento de encargos como FGTS e INSS.
Diante desse cenário, há mobilização da categoria e possibilidade de paralisação, o que pode comprometer integralmente o atendimento à população.
Suspensão de licitação amplia instabilidade
Em meio à crise, a Prefeitura de Rio Branco suspendeu o processo de licitação que previa a concessão do transporte coletivo por um período de até 20 anos. O contrato, estimado em mais de R$ 1 bilhão, seria a principal alternativa para reorganizar o sistema de forma definitiva.
A suspensão ocorreu após questionamentos ao edital, pedidos de impugnação e acompanhamento de órgãos de controle, incluindo o Ministério Público, o que ampliou a insegurança jurídica e manteve o sistema dependente de contratos emergenciais.
Modelo emergencial e impasses estruturais
A operação atual da Ricco Transportes ocorre por meio de contratos emergenciais sucessivos desde 2022, sem a consolidação de uma concessão definitiva. Esse modelo, segundo a empresa, dificulta investimentos, planejamento de longo prazo e estabilidade operacional.
No dossiê, a concessionária aponta como fatores estruturais da crise:
- Defasagem tarifária frente ao aumento de custos
- Falta de recomposição financeira por parte do poder público
- Insegurança regulatória e ausência de contrato de longo prazo
Sistema à beira do colapso
Com déficit acumulado, passivos trabalhistas, perda de parte da frota por apreensão, indefinição contratual e impasse entre concessionária e poder público, o transporte coletivo de Rio Branco entra em um cenário de alto risco.
A continuidade da operação depende de medidas imediatas para reequilibrar o sistema, sob pena de interrupção dos serviços e agravamento dos impactos sociais na capital acreana.
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