
A Prefeitura de Maceió tenta avançar com uma das maiores licitações de transporte escolar do Nordeste, mas o processo segue cercado por questionamentos, impugnações e debates sobre o modelo adotado pela administração municipal.

O novo Pregão Eletrônico nº 56/2026 prevê a contratação de uma empresa para assumir integralmente o sistema de transporte escolar da capital alagoana, em um contrato de grande porte que já desperta interesse nacional entre operadores de transporte, locadoras e grupos empresariais ligados à mobilidade urbana.
Operação prevê 378 veículos e mais de 21 mil estudantes atendidos
A licitação prevê a contratação de empresa especializada para execução completa do transporte escolar municipal, incluindo fornecimento de veículos, combustível, motoristas, monitores e toda a estrutura operacional necessária para atendimento dos estudantes da rede pública.
Segundo o edital, a futura operação contará com:
- 324 ônibus urbanos;
- 54 micro-ônibus;
- 378 veículos no total;
- Mais de 453 mil quilômetros rodados por mês;
- Atendimento diário a mais de 21 mil alunos da rede municipal.
Os veículos deverão possuir obrigatoriamente:
- Ar-condicionado;
- Sistema de acessibilidade para pessoas com deficiência;
- Monitoramento por GPS em tempo real;
- Videomonitoramento veicular.
A operação atenderá estudantes da educação infantil, ensino fundamental, EJAI e também alunos de entidades parceiras credenciadas pelo município.
Prefeitura aposta em lote único e modelo gera críticas
Um dos pontos mais discutidos do edital é a decisão da Prefeitura de Maceió de concentrar toda a operação em lote único.
Na prática, apenas uma empresa — ou consórcio — poderá assumir integralmente o transporte escolar municipal.
A administração municipal argumenta que o modelo garante maior eficiência operacional, economia de escala e melhor controle contratual. Porém, nos bastidores do setor, empresas avaliam que a medida pode restringir a competitividade e favorecer grupos empresariais já estruturados nacionalmente, com maior capacidade financeira e operacional.
Sete empresas apresentam impugnações ao edital
A disputa em torno do contrato ficou ainda mais evidente após uma série de pedidos formais de impugnação apresentados ao edital.
Ao menos sete empresas protocolaram questionamentos contra o processo licitatório:
- Dutra & Macedo Locadora de Veículos e Transporte, sediada em São Paulo (SP);
- FOCO Locações e Serviços Ltda, de Maceió (AL);
- Vitória Transportes Ltda, sediada em São Cristóvão (SE);
- Florença Assessoria e Transportes Ltda, de São Bernardo do Campo (SP);
- Realbus Locação de Veículos Ltda, sediada em São João (PE);
- Giro Tecnologia e Transporte Ltda, de Nossa Senhora do Socorro (SE);
- TAC Rent a Car, sediada em São José de Mipibu (RN).
As impugnações reforçam o tamanho da disputa envolvendo o futuro contrato e evidenciam o interesse de empresas de diferentes regiões do país na operação escolar da capital alagoana.
Transporte escolar segue em operação emergencial


Enquanto o processo licitatório avança lentamente, o transporte escolar municipal segue sendo realizado de forma emergencial desde 2025 por ao menos duas empresas.
Apesar da operação já estar em funcionamento há meses, não há ampla divulgação detalhada sobre os contratos emergenciais no Diário Oficial do Município.
Informações obtidas junto ao setor apontam que uma das empresas ligadas à atual operação possui relação com o grupo empresarial da família Setti Braga, tradicional no setor de transportes do ABC Paulista.
O conglomerado controla empresas conhecidas nacionalmente, como Next Mobilidade, BR7 Mobilidade, Diastur, Auto Viação ABC, Eletra e BRT Amazônia.
Nos bastidores do setor de transportes, também é conhecida a prática de grupos empresariais operarem determinadas concessões e contratos públicos por meio de empresas consideradas “novas” no mercado ou sem ligação societária oficial direta com membros da família controladora, embora operacionalmente e estrategicamente estejam ligadas ao mesmo grupo econômico.
Esse modelo, bastante comum no segmento de transportes urbanos e fretamento, normalmente ocorre por meio de empresas representadas formalmente por diretores, executivos ou terceiros, permanecendo dentro dos limites jurídicos e societários previstos na legislação brasileira.
Há inclusive avaliações dentro do próprio setor de que uma das empresas que apresentaram impugnação ao edital de Maceió possa possuir ligação indireta com o grupo ligado à família Setti Braga, embora oficialmente não haja documentação pública que comprove vínculo societário direto com integrantes da família.
Além disso, há registros de veículos oriundos de operações metropolitanas do ABC Paulista sendo preparados em São Bernardo do Campo (SP) antes de serem transferidos para atuação em Maceió, reforçando a conexão operacional observada nos bastidores do setor.
Processo se arrasta desde o ano passado
Outro ponto que chama atenção é a demora na conclusão da licitação.
Embora a atual versão do edital tenha sido publicada em 2026, o processo administrativo relacionado à contratação tramita desde 2023 e vem sofrendo sucessivos atrasos desde o ano passado.
O orçamento estimado da contratação também foi mantido sob sigilo pela administração municipal, prática prevista na nova Lei de Licitações, mas frequentemente alvo de debates em contratos públicos de grande porte e alta complexidade operacional.
Mesmo diante das impugnações e dos questionamentos apresentados pelas empresas interessadas, a Prefeitura de Maceió mantém o modelo de contratação integral da operação escolar, em um processo que pode redefinir o transporte estudantil da capital alagoana pelos próximos anos.
Aos interessados, todos os detalhes do processo podem ser conferidos através do link: Sistema de Licitação – Maceió AL
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