
A mobilidade na Zona Leste de São Paulo ganha um novo fôlego com o início das operações dos novos ônibus elétricos superarticulados de 21,5 metros da Eletra. O lote de 27 veículos será destinado à Viação Metrópole Paulista e operará na linha 3459 (Itaim Paulista – Parque Dom Pedro II), um dos eixos mais carregados da região. A chegada desses gigantes não apenas amplia a oferta de lugares, mas também traz uma solução técnica superior para os desafios viários do bairro.




Mais Conforto e Capacidade por Viagem
A substituição dos antigos veículos de 18 metros pelos novos superarticulados de 21,5 metros representa um salto significativo na oferta de transporte. Com capacidade para 146 passageiros (sendo 50 sentados), a linha 3459 terá um aumento real na disponibilidade de assentos por viagem, combatendo a superlotação nos horários de pico.
Além da capacidade, o diferencial reside na manobrabilidade. Embora sejam maiores que os modelos de 18 metros, os novos elétricos de 21,5 metros apresentam um comportamento dinâmico mais suave em trechos de geometria complexa na Zona Leste. Em comparação aos modelos superarticulados a diesel de 23 metros — cujas manobras são consideravelmente mais pesadas e ruidosas —, os novos superarticulados elétricos oferecem uma condução mais ágil e silenciosa, facilitando a fluidez no tráfego local.
Explicação pontual sobre as principais diferenças entre Frenagem Regenerativa (Veículos Elétricos e Híbridos) e o Sistema KERS (Veículos de Competição), por Fenauto TV
Desmistificando a “Tecnologia de F1”
Recentemente, o marketing em torno desses veículos associou seu sistema de frenagem a uma “tecnologia inédita oriunda da Fórmula 1”. Contudo, a engenharia de transportes esclarece que a frenagem regenerativa é uma solução com mais de um século de história, originária dos bondes e trólebus.
- Raízes Históricas: Já em 1894, carruagens elétricas utilizavam a reversibilidade dos motores para recarregar baterias. Em 1903, bondes regenerativos já devolviam energia para a rede elétrica.
- Diferença de Propósito: Enquanto o KERS da F1 foca em explosões de velocidade, nos ônibus da Eletra a tecnologia visa a autonomia estendida e a sustentabilidade econômica.
- Aperfeiçoamento: O que existe de fato “novo” é a eletrônica de potência moderna, que permite o Torque Blending — uma mistura suave entre o freio elétrico e o pneumático que garante que o passageiro em pé não sinta trancos durante a desaceleração.

Economia Oculta e Saúde Pública
A escolha por essa tecnologia, amplamente dominada pela Eletra através de sua experiência no Corredor ABD e em toda a linha eBus desde seu primeiro protótipo e aprimorado ao longo de sua reformulação entre 2023 e 2024, traz impactos diretos no custo da operação.
- Manutenção: O uso da regeneração estende a vida útil das lonas de freio em até 350%.
- Eficiência: Em ciclos urbanos densos como o de São Paulo, o sistema recupera entre 15% e 35% da energia que seria desperdiçada.
A chegada dos novos veículos à linha 3459 não é, portanto, uma estreia de tecnologias experimentais de corrida, mas a consolidação de um padrão brasileiro de excelência que honra o legado dos trólebus e projeta o futuro da eletromobilidade em larga escala.
Leitura Recomendada, matéria de Sylvia Leite para a revista de ciência aplicada Pesquisa FAPESP, de 2003, comemorando o sucesso internacional do ônibus híbrido brasileiro criado pela empresa Eletra, com suas primeiras versões do sistema de frenagem regenerativa:
Versão Digital da Matéria encontrada em revistapesquisa.fapesp.br, ou clicando aqui.
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