
Após questionamentos da Folha de S.Paulo, a Sancetur alegou não ter condições de assumir, neste momento, um contrato emergencial na capital paulista. A informação foi revelada pelo jornal nesta quarta-feira (28), ao detalhar que a empresa comunicou à Prefeitura de São Paulo que não seguirá com a operação de parte das linhas que eram atendidas pela Transwolff.
Segundo a publicação, a decisão veio depois que a Folha procurou a gestão municipal e a concessionária para esclarecer pontos relacionados a contratos e processos envolvendo a empresa em outros municípios do estado.
Diante da desistência formalizada, a Prefeitura de São Paulo informou que irá publicar edital de licitação para definir o novo operador dos lotes D10 e D11, atualmente sob responsabilidade da Transwolff, que teve seus contratos declarados caducos após intervenção municipal.
Contexto trazido por reportagens em diversos municípios do estado

Segundo a Folha, a Sancetur responde a ações do Ministério Público e a análises do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) relacionadas a contratos firmados em diferentes municípios, parte deles em caráter emergencial.
Entre os casos citados estão contratos em cidades como Paulínia, Indaiatuba, Valinhos e Limeira, que envolveram questionamentos sobre valores, reajustes, prorrogações ou critérios adotados nas contratações. Em alguns episódios, as administrações municipais afirmam que os contratos seguiram a legislação vigente ou que as situações seguem em discussão nas instâncias administrativas e judiciais competentes.
A Sancetur afirma que apresentou defesa nos processos em andamento e que confia em decisões favoráveis. A empresa também sustenta que possui décadas de atuação no setor e mantém operações em mais de 20 cidades.
Família Abi Chedid e o meio político

Um dos nomes à frente da estrutura empresarial é Luiz Arthur Abi Chedid, que figura como um dos atuais presidentes da companhia. Ele também ocupa posições de destaque fora do setor de transportes, sendo presidente da AESP (Associação das Emissoras de Rádio e TV do Estado de São Paulo), diretor do Grupo Bandeirantes de Comunicação e vice-presidente do Red Bull Bragantino.
Luiz Arthur é filho de Marco Antonio Nassif Abi Chedid, o Marquinho Chedid, ex-vereador de Campinas e ex-deputado federal pelo MDB, que também preside o Red Bull Bragantino. A família Chedid mantém forte presença política no interior paulista: ele é primo dos prefeitos Edmir Chedid (União Brasil), de Bragança Paulista, e Elmir Chedid (União Brasil), de Serra Negra. Ambos são filhos do empresário Jesus Chedid, ex-prefeito de Bragança Paulista, falecido em 2022. O grupo familiar é frequentemente associado a lideranças políticas ligadas a partidos como União Brasil, MDB e Republicanos.
Prefeitura afirma que contratação seguiu os ritos legais
Em nota, a Prefeitura de São Paulo declarou que a contratação emergencial da Sancetur respeitou todos os ritos e requisitos legais previstos na legislação, com o objetivo de garantir a continuidade de um serviço essencial.
Segundo a administração municipal, outras quatro empresas do setor foram consultadas, mas não demonstraram interesse em assumir a operação. A Prefeitura informou ainda que os valores do contrato foram baseados em custos apurados por equipes técnicas, sem prejuízo aos passageiros.
A gestão também afirmou que os empregos dos trabalhadores serão mantidos, assim como o pagamento de salários, benefícios e compromissos com fornecedores.
Próximos passos
Com a desistência formalizada, a Prefeitura de São Paulo deve avançar nos seguintes pontos:
- Publicação do edital de licitação para os lotes D10 e D11
- Definição das regras contratuais, prazos e garantias exigidas do futuro operador
- Manutenção da continuidade do serviço durante o período de transição
- Avaliação e tratamento dos passivos herdados da operação anterior
- Monitoramento dos impactos operacionais e trabalhistas no curto prazo
O desfecho do processo deverá indicar se o modelo licitatório adotado conseguirá oferecer maior estabilidade ao sistema e reduzir a recorrência de soluções emergenciais, que historicamente concentram riscos elevados tanto para o poder público quanto para os operadores.
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