
A Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (AMEP) publicou nesta quinta-feira (2), no Diário Oficial do Estado, o aguardado edital de licitação para a concessão do Sistema de Transporte Público de Passageiros da Região Metropolitana de Curitiba (STPP/RMC). A concorrência representa um marco histórico para a mobilidade da região, já que será a primeira licitação do transporte metropolitano da Grande Curitiba, que desde a implantação da Rede Integrada de Transporte (RIT), em 1996, opera por meio de permissões precárias.
O certame contempla a operação completa do sistema metropolitano de ônibus, incluindo operação das linhas, bilhetagem eletrônica, atendimento aos usuários, gestão de frota e garagens, além do controle de acesso aos terminais. Apenas a manutenção dos abrigos e pontos de parada permanecerá fora do escopo da concessão.
A futura concessão terá prazo de 20 anos, enquanto a vigência contratual será acrescida de 180 dias para contemplar o período de transição operacional.
Sistema será dividido em quatro lotes

Segundo o edital, a operação será dividida em quatro lotes, permitindo a participação de diferentes grupos operadores.
Os valores máximos de remuneração por quilômetro estabelecidos pela AMEP são:
- Lote 1: R$ 11,32/km
- Lote 2: R$ 13,87/km
- Lote 3: R$ 14,09/km
- Lote 4: R$ 11,33/km
O critério de julgamento será o menor valor da tarifa, adotando o modelo de disputa fechado e aberto.
A entrega da documentação pelas empresas interessadas ocorrerá no dia 21 de agosto de 2026, na sede da B3 (Brasil, Bolsa, Balcão), em São Paulo. Já a sessão pública da licitação está marcada para o dia 26 de agosto de 2026.
Atuais operadoras do sistema metropolitano
Atualmente, o Sistema de Transporte Público de Passageiros da Região Metropolitana de Curitiba (STPP/RMC) é operado por 19 empresas, distribuídas entre grupos empresariais tradicionais e empresas de administração familiar. Com a publicação do edital de concessão, essas operadoras poderão disputar a permanência na prestação dos serviços, seja individualmente ou por meio de consórcios, desde que atendam às exigências estabelecidas na licitação.
As atuais operadoras são:
- Grupo Leblon
- Leblon Transporte de Passageiros
- Viação Nobel
- Expresso São Bento
- Grupo Melissatur
- Viação Tamandaré
- Empresa de Ônibus Campo Largo
- Auto Viação Antonina
- Grupo Zem
- Expresso Azul
- Viação Colombo
- Viação Castelo Branco
- Grupo Noster / Família Gulin
- Viação Santo Ângelo
- Família Gulin
- Viação do Sul
- Família Schaedler
- Viação Graciosa
- Viação Marumbi
- Empresa Curitiba Cerro Azul
- Família Romani
- Araucária Transporte Coletivo
- Família Franceschi
- Auto Viação São José dos Pinhais
- Grupo Trans Isaak
- Auto Viação São Braz
- Família Piccoli
- Viação Piraquara
- Grupo Reunidas
- Reunidas Transportes Coletivos
Processo se arrasta há anos
Embora o edital tenha sido publicado apenas agora, a elaboração da nova concessão começou há vários anos.
Em dezembro de 2023, a então Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), posteriormente transformada em AMEP, abriu a consulta pública da futura licitação, permitindo contribuições da sociedade, empresas e entidades do setor. Na ocasião, o Governo do Paraná destacou que o objetivo era substituir o modelo de permissões precárias por uma concessão definitiva, além de ampliar a integração do sistema para todos os municípios da Região Metropolitana.
Ao longo de 2024 e 2025, o projeto passou por diversas etapas técnicas e jurídicas, incluindo análises da Agência Reguladora do Paraná (Agepar), da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR). Durante esse período, o cronograma sofreu ajustes e a publicação do edital foi adiada em algumas oportunidades, aumentando a expectativa do setor e dos passageiros.
Com a publicação do edital, o Governo do Paraná dá início à etapa decisiva do processo, encerrando um período de quase 30 anos sem uma concessão definitiva para o transporte metropolitano da Grande Curitiba.
Modernização do sistema
A nova concessão busca proporcionar maior segurança jurídica, permitindo investimentos de longo prazo em renovação de frota, tecnologia embarcada, sistemas de bilhetagem, gestão operacional e melhoria da qualidade do serviço prestado aos passageiros.
A expectativa é que a nova concessão estabeleça um novo modelo para o transporte metropolitano da Região Metropolitana de Curitiba, reunindo em uma única estrutura contratual os serviços atualmente operados por diferentes empresas sob autorizações provisórias.
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