Motiva entra no mercado de eletromobilidade e inicia operação de recarga para ônibus elétricos em São Paulo

Companhia investiu R$ 5 milhões em infraestrutura no Pátio Guido Caloi, na Linha 5-Lilás, e firmou primeiro contrato de recarga com a Viação Campo Belo

Motiva entrou oficialmente no mercado de eletromobilidade e iniciou uma nova frente de negócios voltada à infraestrutura de recarga de veículos elétricos. O primeiro contrato da companhia foi firmado com a Viação Campo Belo, para a recarga de ônibus elétricos na cidade de São Paulo.

Para viabilizar o projeto, a empresa investiu R$ 5 milhões na implantação de uma estrutura de recarga no Pátio Guido Caloi, área vinculada à Linha 5-Lilás, operada pela ViaMobilidade.

A estrutura conta com 12 carregadores, cada um com potência de 180 kVA, capazes de atender até 24 ônibus elétricos simultaneamente. Segundo a Motiva, as baterias dos veículos podem ser recarregadas em até três horas.

Nesta primeira etapa, a expectativa é que o espaço seja utilizado para atender aproximadamente 40 ônibus elétricos da Viação Campo Belo por dia.

Motiva assume infraestrutura e gestão da recarga

O modelo adotado pela companhia prevê que a Motiva seja responsável pelo investimento e pela implantação da infraestrutura, incluindo a aquisição e instalação dos equipamentos, adequações da rede elétrica, gestão da energia e manutenção do sistema.

Já a operação dos ônibus no pátio permanece sob responsabilidade das empresas operadoras, que remuneram a Motiva pela utilização dos eletropostos.

A energia utilizada no projeto é proveniente de fonte renovável, com origem no Complexo Eólico Oitis, empreendimento do qual a Motiva participa nos estados do Piauí e da Bahia. A energia conta ainda com Certificado Internacional de Energia Renovável (I-REC).

De acordo com João Pita, diretor Comercial da Motiva, a empresa pretende concentrar em uma única solução diferentes etapas necessárias para a eletrificação das frotas, como infraestrutura elétrica, carregadores, fornecimento de energia e manutenção.

Localização estratégica

A escolha do Pátio Guido Caloi para receber o primeiro projeto levou em consideração a localização na zona sul da capital paulista, a disponibilidade de capacidade na subestação que atende o espaço e a área disponível para instalação dos equipamentos.

O pátio é utilizado para manobras de trens da Linha 5-Lilás e, conforme a Motiva, a implantação dos carregadores não interfere na operação e na manutenção do sistema metroviário.

A estrutura funciona em regime 24 horas por dia, sete dias por semana, contando também com portaria dedicada e área de apoio aos motoristas, com banheiro e copa.

Infraestrutura é um dos desafios da eletrificação

A entrada da Motiva nesse segmento ocorre em um momento de expansão dos ônibus elétricos na capital paulista. Segundo dados apresentados pela própria companhia, ao final de junho, São Paulo contava com aproximadamente 1,57 mil veículos movidos a bateria em circulação, enquanto a perspectiva considerada pela empresa é de que a frota possa chegar a cerca de 13 mil ônibus elétricos na próxima década.

A expansão, entretanto, envolve desafios que vão além da aquisição dos veículos. Entre eles estão a disponibilidade de terrenos, a capacidade da rede elétrica e a implantação dos sistemas de recarga.

É justamente nesse ponto que a Motiva pretende atuar. O modelo desenvolvido pela companhia prevê que os operadores de transporte não precisem realizar individualmente todo o investimento necessário para adaptar suas garagens e instalar os equipamentos.

A empresa assume o aporte inicial e disponibiliza a infraestrutura, sendo remunerada pela utilização e pelo consumo de energia conforme as condições estabelecidas nos contratos.

Novos projetos estão nos planos

Além dos ônibus urbanos, a Motiva pretende ampliar sua atuação no segmento de eletromobilidade para outros mercados.

No curto e médio prazo, a companhia avalia oferecer infraestrutura de recarga para empresas de comércio eletrônico, operações logísticas e plataformas de transporte por aplicativo.

A empresa também estuda utilizar áreas disponíveis de suas concessões para instalar novos pontos de recarga na Região Metropolitana de São Paulo e em Salvador, aproveitando a localização de estações ferroviárias e metroviárias administradas pela companhia.

Em uma etapa posterior, os planos incluem a implantação de infraestrutura para veículos elétricos em viagens de longa distância, contemplando carros e caminhões em rodovias.

A estratégia poderá utilizar corredores administrados pela Motiva, como os sistemas Anhanguera-BandeirantesPresidente Dutra e Fernão Dias.

Com a entrada nesse novo mercado, a companhia amplia sua atuação no setor de mobilidade, passando a explorar não apenas a operação de rodovias e sistemas sobre trilhos, mas também a infraestrutura necessária para a expansão dos veículos elétricos no transporte urbano e rodoviário.


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