Recife inicia preparação para receber trens antigos classificados como “seminovos”

Composições fabricadas entre 1996 e 2002 são classificadas como “seminovas”, gerando questionamentos

Imagens divulgadas pelo Portal Folha PE

Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) informou na última segunda-feira (4) que o primeiro dos seis trens classificados como “seminovos”, oriundos do Metrô de Belo Horizonte, deve chegar ao Recife até o dia 19 de maio. A previsão é que toda a frota esteja em operação até outubro, dentro de um investimento estimado em R$ 60 milhões.

Segundo a superintendente da CBTU, Marcela Campos, o primeiro trem será embarcado no dia 8 de maio, com chegada prevista entre os dias 15 e 19 de maio. A expectativa é que, após ajustes e treinamentos técnicos realizados em Belo Horizonte, a composição comece a operar já em junho, sendo integrada à Linha Sul do sistema.

No entanto, informações técnicas recentes colocam em dúvida o cronograma e a real condição dos trens. Inicialmente, o projeto previa a incorporação de 11 composições, sendo seis de Belo Horizonte e outras cinco da Trensurb, de Porto Alegre (RS). Após avaliações, foi constatado que apenas uma das seis composições de BH está em condições operacionais, e ainda assim sem data confirmada para início efetivo de operação.

As demais unidades apresentam problemas variados. Duas chegaram a ser energizadas e movimentadas em testes preliminares, mas sem aprovação para operação comercial. Outras estão em estado mais crítico, incluindo um trem que estava paralisado há cerca de seis anos e com diversos equipamentos retirados.

Outro ponto que tem gerado forte repercussão é a classificação dos trens como “seminovos”. Na prática, as composições foram fabricadas entre 1996 e 2002, ou seja, possuem entre duas e quase três décadas de uso. A nomenclatura é considerada controversa, já que o termo costuma se referir a veículos com menor tempo de operação e tecnologia mais recente.

As críticas ganharam ainda mais força após a divulgação de imagens pelo Portal Folha PE, que mostram detalhes das composições e evidenciam sinais de desgaste e envelhecimento. O conteúdo repercutiu nas redes sociais e ampliou o debate sobre transparência na comunicação com a população.

A chegada dos trens ocorre no contexto da concessão do sistema metroferroviário pernambucano, anunciada pelo Governo Federal. No entanto, diante das incertezas operacionais, da idade avançada das composições e da diferença entre discurso e realidade, cresce a preocupação sobre o impacto real da medida na qualidade do serviço prestado aos usuários.

Até o momento, não foram detalhados possíveis processos de modernização ou retrofit que garantam melhorias efetivas de desempenho, conforto e confiabilidade. Enquanto isso, os chamados “trens seminovos” seguem no centro de um debate público cada vez mais intenso.


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