VÍDEO: Tarcísio diz que contrato do BRT-ABC poderá ser caducado e cogita licitação no ABC Paulista

Governador voltou a cobrar a conclusão do corredor e afirmou que o prazo inicialmente previsto para outubro está sendo reavaliado pelo Estado; declaração foi dada durante agenda em Ribeirão Pires e registrada em vídeo pelo DGABC

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou neste sábado (19) que o contrato relacionado ao BRT-ABC poderá ser levado à caducidade caso o sistema não seja entregue ainda em 2026. A declaração foi feita durante agenda em Ribeirão Pires, no Grande ABC, e registrada pelo Diário do Grande ABC.

Segundo Tarcísio, o cronograma anteriormente estabelecido previa a conclusão do empreendimento em outubro, mas o Estado acompanha atualmente a evolução das obras e avalia o prazo de entrega.

“Já estamos trabalhando na licitação de quatro áreas do transporte metropolitano. Se não for entregue, caminharemos para a caducidade. Já estamos estudando uma quinta área para deslanchar o projeto. Tenho esperança de entregar em breve”, declarou o governador.

A manifestação representa uma nova cobrança sobre a execução do empreendimento, que vem acumulando alterações de cronograma desde o início das obras.

Leia a reportagem do Diário do Grande ABC sobre a declaração de Tarcísio

Contrato envolve construção e futura operação do BRT

O BRT-ABC está sob responsabilidade da ABC Sistema de Transporte SPE S.A., que utiliza a marca Next Mobilidade. A concessionária responde pela implantação do corredor e, posteriormente, pela operação do sistema. A vinculação da empresa ao empreendimento também consta em documentos do Estado e da Artesp.

A Next Mobilidade integra o arranjo empresarial associado à família Setti Braga, que atua no transporte coletivo do Grande ABC e possui participação em diferentes operações da região.

A estrutura atual nasceu a partir do Termo Aditivo nº 13/2021 ao contrato de concessão do Corredor ABD, que prorrogou a concessão por 25 anos e estabeleceu uma série de investimentos, entre eles a implantação do BRT-ABC e a modernização do sistema metropolitano. O contrato tem valor global citado pelo Estado e pelo setor de R$ 22,6 bilhões, com vigência até 2046.

BRT terá 17,3 quilômetros e 92 ônibus elétricos

O projeto prevê um corredor de aproximadamente 17,3 quilômetros, conectando o Centro de São Bernardo do Campo ao Terminal Sacomã, em São Paulo, passando por Santo André e São Caetano do Sul.

O sistema terá 16 estações e três terminais, localizados em São Bernardo do Campo, Tamanduateí e Sacomã. Também haverá integração com a Linha 10-Turquesa da CPTM e a Linha 2-Verde do Metrô, além da conexão com o sistema existente do Corredor ABD.

A operação está prevista com 92 ônibus elétricos articulados, com aproximadamente 21,5 metros de comprimento. O projeto contempla veículos com tecnologia de recarga por rede aérea e baterias, dependendo da configuração operacional do trajeto.

A demanda inicial estimada é de aproximadamente 173 mil passageiros por dia, com capacidade de expansão do sistema para até 600 mil passageiros diariamente.

Obra passou por sucessivos adiamentos

A implantação do BRT-ABC começou ainda durante a gestão de João Doria, como alternativa ao projeto da Linha 18-Bronze do monotrilho, que acabou sendo abandonado.

Desde então, a entrega do corredor passou por sucessivos adiamentos. Entre os fatores apresentados pela concessionária para justificar o ritmo da obra estiveram a necessidade de obtenção de licenças ambientais, autorizações e interferências provocadas por serviços de concessionárias de infraestrutura.

Em dezembro de 2025, Tarcísio havia afirmado que o cronograma estabelecido pela Next Mobilidade apontava para outubro de 2026 e que o Estado acompanharia a execução. Naquele momento, o governador declarou que a obra havia ganhado ritmo.

A situação voltou a se agravar no início de 2026. Em fevereiro, a ARTESP reconheceu a necessidade de medidas corretivas no âmbito de um processo administrativo de pré-caducidade, relacionado aos atrasos na execução do empreendimento.

Em março, Tarcísio chegou a afirmar que pretendia avançar para o encerramento do contrato com a Next Mobilidade. Na ocasião, a concessionária informou que havia ampliado as frentes de trabalho e contava com cerca de 900 colaboradores, além de ter recebido os primeiros 20 ônibus destinados aos testes do sistema.

Novo prazo volta a ser colocado em questão

A declaração deste sábado recoloca a conclusão do BRT-ABC no centro da relação entre o governo estadual e a concessionária.

Embora Tarcísio tenha mencionado outubro como prazo estabelecido anteriormente, o próprio governador afirmou agora que o Estado está avaliando o cronograma. Ao mesmo tempo, deixou registrado que o não cumprimento da entrega ainda em 2026 poderá levar o governo a caminhar para a caducidade do contrato.

A caducidade, nesse contexto, é o mecanismo administrativo pelo qual o poder concedente pode extinguir uma concessão diante do descumprimento de obrigações contratuais, observados os procedimentos previstos na legislação e no próprio contrato.

O BRT-ABC, portanto, chega a uma nova etapa de cobrança justamente no momento em que a obra entra em sua fase final de implantação, mas ainda depende da conclusão de diferentes trechos, estações, estruturas operacionais e demais componentes necessários para o início do serviço.

Para o Grande ABC, a conclusão do corredor representa a implantação de um novo eixo de transporte de alta capacidade entre a região e a Capital, com conexão aos sistemas metroferroviário e aos corredores metropolitanos já existentes.


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