Metrô de São Paulo encerra uso do Bilhete Edmonson e avança na bilhetagem digital

Modelo magnético deixará de ser aceito nas catracas a partir de 31 de outubro, após mais de cinco décadas de utilização

Metrô de São Paulo dará fim ao uso do tradicional Bilhete Magnético Edmonson nas catracas a partir de 31 de outubro de 2026. Utilizado há mais de cinco décadas no sistema metroviário, o modelo chega ao fim após cerca de 13,7 bilhões de unidades emitidas, abrindo espaço para uma operação cada vez mais baseada em tecnologias digitais.

A mudança consolida uma transformação que já vem ocorrendo na bilhetagem do transporte público paulista. O QR Code, introduzido pela Autopass em 2020, já alcançou 449 milhões de utilizações no Metrô ao longo de seis anos.

O QR Code de papel passa a ser a alternativa mais direta ao antigo bilhete magnético e pode ser adquirido nas máquinas de autoatendimento, bilheterias e pontos de venda (POS). Ao mesmo tempo, o passageiro também pode realizar a compra por canais digitais, como o App TOP e o WhatsApp.

Outra opção disponível é o pagamento por aproximação, por meio da tecnologia EMV. Nas catracas equipadas com o sistema, o passageiro pode utilizar diretamente cartões bancários, celulares ou relógios inteligentes, sem a necessidade de adquirir previamente um bilhete.

Canais digitais ganham espaço

Os números registrados em 2026 mostram o avanço das alternativas digitais no sistema metroviário.

Na Linha 1-Azul, as compras de bilhetes realizadas por canais digitais somaram 5,6 milhões no primeiro quadrimestre de 2026, alta de 80,5% em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram registradas 3,1 milhões de compras.

No mesmo intervalo, as vendas realizadas nos guichês físicos apresentaram queda de 53%, passando de aproximadamente 1,2 milhão para 573 mil.

O movimento também aparece nos dados consolidados das soluções da Autopass. Durante 2025, foram registradas aproximadamente 7,7 milhões de validações de passagens adquiridas pelo App TOP, além de mais de 1,8 milhão de acessos relacionados a compras de QR Code pelo WhatsApp.

Já os pagamentos realizados diretamente nas catracas por aproximação, utilizando a tecnologia EMV, ultrapassaram 348 mil passagens no período.

Na Linha 1-Azul, especificamente, as validações provenientes de compras realizadas pelo WhatsApp cresceram mais de 130%, passando de aproximadamente 129 mil para mais de 300 mil no período analisado.

Fim do Edmonson acompanha modernização

A retirada do Bilhete Edmonson está relacionada também à dificuldade de manutenção da estrutura utilizada pelo sistema magnético. Segundo informações divulgadas pelo Metrô, a obsolescência dos equipamentos e a dificuldade para encontrar peças de reposição estão entre os fatores que contribuíram para a descontinuação da tecnologia.

Criado em uma realidade na qual a compra presencial e o bilhete físico eram o centro da experiência do passageiro, o modelo magnético dependia de uma cadeia própria de fabricação, distribuição, armazenamento e equipamentos de leitura.

Com o avanço do QR Code e do pagamento por aproximação, parte dessas etapas deixa de ser necessária. O passageiro pode comprar o acesso antes mesmo de chegar à estação ou, em determinados equipamentos, utilizar o próprio cartão bancário ou dispositivo eletrônico na catraca.

Para Leonardo Ceragioli, diretor Comercial da Autopass, a mudança representa mais do que a substituição de uma tecnologia.

“O que está acontecendo não é simplesmente a substituição de um modo de pagamento por outro. Estamos vendo uma mudança na própria lógica de acesso ao transporte.”

Segundo o executivo, a expansão dos diferentes meios de pagamento permite que o passageiro escolha entre o QR Code de papel, o celular ou o próprio cartão bancário para acessar o sistema.

A aposentadoria do Edmonson, portanto, encerra um capítulo de mais de 50 anos na história da bilhetagem do Metrô de São Paulo. Ao mesmo tempo, o crescimento do QR Code, dos aplicativos, do WhatsApp e do pagamento por aproximação aponta para uma nova configuração, na qual o bilhete físico deixa de ocupar o papel central na experiência do passageiro.


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