VÍDEO: Nunes admite intervenção na Transunião após operação e diz que frota seguirá circulando em São Paulo

A gestão municipal deverá assumir temporariamente o controle operacional da concessionária para garantir que o serviço continue funcionando normalmente, sem prejuízo ao sistema de transporte da capital paulista

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, afirmou nesta quinta-feira (25) que a Prefeitura poderá intervir na operação da Transunião após a empresa se tornar alvo da Operação Última Parada, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo. A ação investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro e infiltração do crime organizado no sistema de transporte coletivo da capital.

Segundo Nunes, a administração municipal aguarda o acesso à íntegra da decisão judicial para avaliar quais medidas poderão ser adotadas. Ainda assim, o prefeito foi direto ao dizer que, se não houver impedimento por parte da Justiça, a intervenção será realizada para preservar o funcionamento do serviço.

Mesmo diante da ofensiva policial, o prefeito garantiu que os ônibus da Transunião continuarão circulando normalmente, sem paralisação das linhas atendidas pela concessionária. A gestão municipal afirma que o foco, neste momento, é evitar qualquer impacto à população e assegurar a continuidade da operação, especialmente em regiões da cidade onde a empresa possui forte presença.

Confira vídeo oficial do Prefeito:

Transunião é uma das concessionárias do sistema municipal de ônibus de São Paulo e tem operação concentrada principalmente na Zona Leste, além de atuação em outras áreas da capital. A empresa responde por 50 linhas, possui 653 veículos cadastrados, sendo 538 em operação, e transporta cerca de 262 mil passageiros por dia útil, com aproximadamente 9,2 mil viagens programadas diariamente.

O principal contrato da empresa é o lote D3, na Zona Leste, responsável por 39 linhas, com 492 ônibus cadastrados e 425 veículos em operação. Já o lote D7, na Zona Sudeste, reúne 11 linhas, com 161 ônibus cadastrados e 113 em operação. Somados, os contratos da concessionária representam uma fatia relevante do transporte por ônibus da capital, o que amplia a preocupação da Prefeitura em manter o atendimento em funcionamento mesmo diante da crise.

A operação realizada nesta quinta-feira apura suspeitas de que a empresa teria sido utilizada em um esquema de movimentação e ocultação de recursos ligados ao PCC, além de possíveis fraudes e conexões com agentes do setor de transportes. A ofensiva policial cumpriu mandados de prisão temporária e de busca e apreensão em endereços da capital, da Grande São Paulo e também em Extrema, no sul de Minas Gerais.

Entre os alvos das investigações está o vereador Senival Moura (PT), apontado nas apurações como um dos nomes ligados ao controle da empresa. Também foram alvo da ação dirigentes da concessionária e suspeitos de ligação com a facção criminosa. A Justiça ainda determinou medidas patrimoniais no âmbito da investigação, incluindo bloqueio de bens e afastamento de dirigentes.

Ao comentar o caso, Ricardo Nunes reforçou que a prioridade da Prefeitura é garantir a continuidade do sistema e evitar que funcionários, fornecedores e passageiros sejam prejudicados. Segundo ele, uma eventual intervenção teria justamente esse objetivo: preservar a prestação do serviço, manter a operação dos ônibus e assegurar o pagamento das obrigações essenciais da empresa.

O episódio reacende a crise envolvendo o transporte coletivo paulistano e a suspeita de infiltração do crime organizado em empresas que operam o sistema municipal. Em 2024, a Prefeitura já havia determinado a intervenção em outras concessionárias investigadas, como Transwolff e UPBus, em uma ação semelhante que também teve como pano de fundo suspeitas de lavagem de dinheiro e ligação com o PCC.

Agora, com a Transunião no centro de uma nova ofensiva policial, a Prefeitura volta a se ver diante do desafio de equilibrar duas frentes delicadas: agir com rigor diante das investigações e, ao mesmo tempo, impedir que a instabilidade administrativa da empresa comprometa o deslocamento diário de milhares de passageiros na cidade.

A tendência é que os próximos passos sejam definidos a partir do conteúdo da decisão judicial e do avanço das apurações. Caso a intervenção seja confirmada, a gestão municipal deverá assumir temporariamente o controle operacional da concessionária para garantir que o serviço continue funcionando normalmente, sem prejuízo ao sistema de transporte da capital paulista.


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